“Criptomoedas e Blockchain para Utilizadores”

Maio de 2020

Autores

Luís Antunes

Alexandra da Silva

Curso: “Criptomoedas e Blockchain para Utilizadores”

 


1.     
Moeda FIAT, Criptomoedas e Altcoins


1.1.  
Evolução do Conceito de Dinheiro


1.2  
Definição de Criptomoeda


1.3  
Bitcoin – Satoshi Nakamoto


1.4  
Altcoins

 


2.     
Vantagens, Desvantagens e Segurança


2.1.  
Vantagens


2.2.  

Desvantagens


2.3.  

Princípios
Básicos de Segurança


2.3.1.    

Opcional para o utilizador – 2FA


2.3.2.    

Obrigatório para o utilizador – KYC e AML


 


3.     

Armazenamento e Transações


3.1.  

Carteira
Digital


3.2.  

Operações:
Compra/Venda


3.3.  

Operações:
Envio/Receção


3.4.  

Exchange


3.5.  

Investimento: Trading


3.6.  

Investimento: Holding


3.7.  

Máquinas
Automáticas (ATM bitcoin) e Terminais de Pagamento


 


4.     

Tecnologia
Blockchain


4.1.  

Conceitos e
Utilidades


4.2.  

Características


4.3.  

Aplicabilidades

 


5.     

Demonstração Prática: Criptomoedas


5.1.  

Criação de
conta – Carteira Digital


5.2.  

Criação de
conta – Exchange


5.3.  

Comprar e
enviar Criptomoeda

2

Agradecemos a Satoshi Nakamoto pela partilha de valor acrescentado

para a rede de todos – a Internet.

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“Criptomoedas e Blockchain para Utilizadores”


1.     
Moeda Fiat, Criptomoedas e Altcoins

1.1  

Evolução do
Conceito de Dinheiro


Dinheiro desde sempre até à atualidade um conceito
apreciado por todos, não propriamente pelo seu valor, mas por tudo aquilo em que
se pode converter. Há milhares de anos, que o dinheiro acompanha a economia,
ajustando-se na sua forma para gentilmente conseguir o seu objetivo – facilitar
o comércio e os serviços.


Se observarmos a história do dinheiro, vamos
conseguir reparar que tudo ronda em torno das formas que o dinheiro adquire para
fazer face às exigências do mercado, utilizando os conceitos tecnológicos do
momento, para a sua progressão.


 


Vejamos como exemplo três épocas distintas:


·     

Os
primórdios


Nesta época, o comércio podia caracterizar-se por uma
troca de produtos, mercadorias ou serviços e muitas dessas trocas eram
simplesmente isso, troca de produtos (gado, sal, especiarias, etc…). O valor
real do produto em si nem era considerado, pois a forma que o conceito de
dinheiro assumia era por isso, muito diferente da atualidade! No final desta
época o conceito de dinheiro começava a tomar outras formas.


·     

A Idade
Média


É nesta fase da Humanidade, que surge o conceito papel-moeda em si, ou seja, o
dinheiro adquire a forma de moedas ou notas, algo inovador para aqueles tempos e
que muito veio contribuir para simplificar o comércio.

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As chamadas “Moeda FIAT”
que na atualidade viriam a ser as moedas geridas e regulamentadas pelos Governos
dos Países e que, por isso, representam o valor do dinheiro convencional de cada
País, como por exemplo: € Euro, $ Dólar,
£
Libra, R$ Real, etc…


 


·     

A
atualidade

Essa forma de dinheiro em papel-moeda, vigora até
hoje! No entanto, se recuarmos umas décadas, vamos observar o dinheiro físico a
tomar formas, cada vez mais digitais e virtuais – através de cartões,
Homebanking
, etc…

Numa primeira fase, todas essas novas formas de
dinheiro, lidaram com a resistência natural do ser humano, para a aceitação,
aprendizagem, até ao começo da sua utilização.

O Homebanking
por exemplo, que surgiu nos finais do século XX, durante largos anos, foi
considerado por muitos, como um serviço inseguro, pois existia um elevado número
de fraudes, mas na maioria, devido ao não conhecimento de regras básicas de
segurança, por parte do próprio utilizador e não a problemas de segurança do
sistema do banco. Hoje esse número é muitíssimo reduzido, o que torna o
Homebanking um serviço bastante seguro
e atualmente uma forma de utilização de dinheiro bastante popular, por todo o
mundo.

Em alguns Países, o dinheiro na sua forma física de
moedas e notas (papel-moeda), já representa a menor parte dos meios utilizados
para pagamentos, o que suporta a previsão tecnológica, de que esta forma de
dinheiro (papel-moeda) está a caminhar para o final do seu ciclo e a abrir
espaço para uma tendência de dinheiro mais virtual – as criptomoedas!

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1.2  

Definição de
Criptomoeda

 

As palavras criptomoeda e
Bitcoin, são conceitos desconhecidos ainda por muitos dos
utilizadores. No entanto, a frequência com que nos últimos anos, são divulgados,
nos midia tradicionais e em especial na rede (a Internet) tornam estes
conceitos, na atualidade, cada vez mais familiares.

 

Mas afinal o que são criptomoedas?

 

Existem hoje em dia, inúmeras definições para este
conceito, que dependem muitas vezes, do entendimento de cada pessoa, País e dos
motivos pelas quais são originadas, ou seja, não existe propriamente uma
consensualidade entre as várias definições. No entanto, a título
exemplificativo, listamos algumas em seguida:

 


 

Moeda virtual;


 

Dinheiro virtual;


 

Ativo financeiro;


 

Meio de pagamento;

 

Sistema de pagamento;

É importante referir que a primeira criptomoeda do mundo foi o Bitcoin e
que a entidade Satoshi Nakamoto intitulada como a sua criadora, definiu-a como
um sistema de pagamento eletrónico. Mas usando os exemplos anteriores, muitos
outros conceitos surgiram, desde então, para caracterizar a palavra criptomoeda.

Porém, existe algo comum a todas as definições, o
facto de serem descritivas de um conceito virtual, sendo que, qualquer
criptomoeda existe apenas em formato digital.

Este novo conceito (criptomoeda), é um programa
informático (código) que gera o que alguns chamam de dinheiro virtual, e por
isso, não existe em nenhum tipo de formato físico.

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Consolidando a informação anterior, é importante
afirmar, que a materialização de determinada criptomoeda, em moeda FIAT – moeda
convencional de cada país, é possível. Desta forma, estabelece-se a ligação
entre o mundo das criptomoedas e o mundo financeiro convencional.

 

Ainda em relação às definições do conceito
“Criptomoeda”, reforçamos a ideia de que, as definições apresentadas são algumas
das mais simples e comuns que existem, no momento da nossa escrita, mas esta
tecnologia está em processo de crescimento e estamos certos que muitas outras
definições vão surgir.

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1.3  

Bitcoin – Satoshi
Nakamoto

O Bitcoin, a primeiríssima
criptomoeda descentralizada do mundo, uma informação conceptual protegida pela
tecnologia que lhe deu origem – Blockchain, e por isso, tendo em conta
uma das características desta tecnologia (à qual daremos um destaque próprio
adiante), imutável, para todo o sempre.

Todas as ideias iniciam com um pensamento, antes de serem concretizadas e
obviamente que por detrás desse pensamento está alguém, que todos temos
curiosidade em saber quem, principalmente tratando-se de uma ideia inovadora e
que já está a originar mudanças de grande impacto no mundo. No entanto, e neste
caso em particular, existe uma exceção, pois na atualidade, a verdadeira
identidade do criador do Bitcoin, permanece desconhecida. É verdade!


Bitcoin
, como tudo iniciou:

 

Em 2008,
uma entidade, utilizou um pseudónimo, que se auto-intitulou por “Satoshi
Nakamoto” e atribuiu-lhe a criação do Bitcoin – a primeira criptomoeda
descentralizada do mundo, um conceito inovador que deu o primeiro passo para uma
nova era de transações financeiras.

Digamos que a entidade
Satoshi Nakamoto, programou o Bitcoin, lançou-o na Internet e dessa forma,
despertou o interesse de alguns e daí surgiu uma comunidade de interessados no
Bitcoin, com quem Satoshi Nakamoto, comunicou durante um período de tempo, em
seguida e até à atualidade desapareceu!

Entendemos importante, referir que o código – programação que
origina um software, neste caso do Bitcoin – é totalmente aberto e
está disponível de forma gratuita, a quem o quiser consul­tar, pretender
melhorar ou ainda criar outros produtos com base nesse código. Neste sentido,
Satoshi Nakamoto além de criar uma inovação, foi altruísta na forma como a
partilhou com o Mundo.

Na realidade esta tecnologia já foi melhorada e outras derivações
diretas ou indiretas já aconteceram, dando origem por exemplo a outras
criptomoedas. 

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Listamos em seguida uma síntese de
aspetos relevantes da história do Bitcoin:


 

Primeira criptomoeda
descentralizada do Mundo;


 

Criada pela entidade Satoshi
Nakamoto e definida como um
(Electronic
Payment Cash System
) – Sistema de Pagamento Eletrónico;


 

Surge
em 31 de Outubro 2008 com a publicação de um artigo (paper) chamado “A
Peer-to-Peer Electronic Cash System”
;


 

Bloco 0 – “Genesis Block”,

o
chamado primeiro bloco gerado na Blockchain, tem origem em 03 Janeiro
2009.

 

No entanto, existem muitos outros
detalhes em relação a esta síntese que poderíamos abordar, assim como,
acrescentar muitas outras informações que consideramos também interessantes e
relevantes, mas não acrescem valor, para uma fase inicial de aprendizagem.

Continuando ainda, numa fase inicial de aprendizagem é relevante mencionar que
cada moeda FIAT, tem associada uma unidade mais pequena, no caso do € Euro a
unidade mais pequena é o cêntimo.
No caso
do bitcoin, o primeiro nome da sua entidade criadora – «Satoshi», ficou por ser
convencionado, como a unidade mais pequena do bitcoin.

Isto é:

 


1
Satoshi (menor unidade do bitcoin) = 0.00000001 bitcoins


 

Uma outra informação relevante, é
que o Bitcoin foi programado com a intenção de gerar um número máximo de
bitcoins até um determinado período de tempo. Assim sendo, o número máximo de
bitcoins gerados será de 21.000.000 (vinte e um milhões) e o último bitcoin será
gerado aproximadamente no ano 2140.

Esta inovação criada em 2008 vai
gerar bitcoins, muito para além da vida de um ser humano!
Uma última informação
para esta etapa de aprendizagem, se estiver atento, vai notar que muitas vezes
Bitcoin é escrito inicialmente em maiúsculas (Bitcoin) e outras vezes em
minúsculas (bitcoin). Esta distinção que se convencionou, tem uma missão,
distinguir a tecnologia em si – o protocolo do Bitcoin, da criptomoeda
bitcoin
.

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Por outras palavras, se for escrito inicialmente em maiúscula (Bitcoin)
refere-se ao protocolo, se for escrito em minúscula (bitcoin) refere-se à
criptomoeda.


 Observe
ainda que em qualquer lugar, onde exista a possibilidade de efetuar pagamentos
em criptomoedas, usualmente em bitcoin, vai ver o símbolo abaixo, com a
palavra bitcoin escrita em letras minúsculas, pois neste caso, estão a
fazer referência à criptomoeda como um meio de pagamento. 


Poderíamos, continuar a falar sobre
o Bitcoin e/ou bitcoin, aliás para que tenha noção da imensidão deste tema, o
detalhe deste assunto tem originado várias bibliografias no mundo. No entanto, o
ensino e a aprendizagem têm um caminho a ser percorrido, e não conseguimos dar o
último passo nesse caminho, sem antes darmos o primeiro, ou seja,
conquiste/domine as bases deste conceito Bitcoin e da tecnologia
Blockchain e a seguir poderá
prosseguir para uma aprendizagem mais ampla. 

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1.4  

Bitcoin – Satoshi
Nakamoto

Altcoins

 


Nesta época tecnológica em que vivemos, rapidamente qualquer inovação se
propaga pela Internet e com a mesma rapidez, essa mesma inovação pode
desaparecer, no caso de insucesso, ou ganhar asas e gerar uma comunidade de
seguidores, no caso de sucesso.


Ora o Bitcoin, vingou e iniciou um caminho próspero, e por isso,
na Internet, apareceu rapidamente uma comunidade que o seguiu e estudou, e como
é óbvio, pois nunca estamos todos de acordo, surgiram novos conceitos que
derivaram do conceito original Bitcoin. Um desses conceitos é o conceito
de AltcoinsAlternative Coins, traduzindo, moedas alternativas,
ou seja, derivações da criptomoeda original Bitcoin.


Todas as criptomoedas são Altcoins, excepto o bitcoin!


As Alternative Coins, neste momento são imensas, pois existem nos
nossos dias mais de 1000 Altcoins. Interessante, se compararmos com as
chamadas moedas FIAT – as moedas ditas convencionais, pois até as moedas
físicas que representam os países,
exemplos:
€ Euro, $ Dólar,
£
Libra, R$ Real,
estão em menor número no mundo.


Mas não se assuste com a quantidade numerosa de Altcoins, a sua
grande maioria não tem expressividade neste novo mundo das criptomoedas, e um
dos motivos é a intenção da sua criação por vezes não ser digna do respeito
deste novo mercado.


A importância da pesquisa sobre as características e objetivos de uma
determinada Altcoin, antes de a
comprar ou utilizar, é essencial, principalmente se o objetivo for programar ou
investir em determinada Altcoin.



 


Conhecer as características da Altcoin vai por isso permitir:


 


 

Investir com maior fiabilidade;


 

Optar pela melhor plataforma para
programar.

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Assim e nesta sequência, é necessário:


 


 

Definir o objetivo que quer
atingir com a utilização da Altcoin (Criptomoeda);


 

Procurar a Altcoin que se
ajuste ao objetivo definido;


 

Analisar o Whitepaper da
Altcoin (Documento que explica as características da Altcoin).



 


A título meramente informativo, listamos em seguida algumas das
principais Altcoins:


 

Ethereum


 

Bitcoin Cash


 

Bitcoin Gold


 

Ethereum Classic


 

Litecoin


 

Dash


 

Monero


 

Ripple



 


Tendo em conta presentemente, as principais
Altcoins,  a Ether (da
Ethereum), desenvolvida com base no protocolo da Blockchain da
Ethereum
, é uma das mais
importantes e fiáveis. Para que fique esclarecido a Blockchain é uma
tecnologia, emergente e inovadora que abordaremos num capítulo próprio.


Esta tecnologia (Blockchain), não é estática,
pois
está em processo de crescimento
contínuo e constante. Os seus primeiros passos, foram dados com o aparecimento
do protocolo do Bitcoin, que ficou
disponível
para quem o quisesse ver, utilizar e/ou melhorar e isso de facto aconteceu, esse
protocolo foi melhorado e daí outros surgiram. Neste momento, sem entrar em terminologias e conceitos técnicos, pretendemos
clarificar, que existem vários Blockchain (cadeia/sequência de blocos) que originam várias
criptomoedas, ou seja, as Altcoins.

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2.     
– Vantagens, Desvantagens e Segurança

2.1  

Vantagens

 


Criptomoeda, um novo
conceito que facilmente se depreende como inovador, com um potencial tecnológico
já reconhecido pelos gigantes da tecnologia, tais como a Google (Android)
e a Apple (iPhone). Se à Google e à Apple, juntarmos outros “gigantes” da
tecnologia, nomeadamente Microsoft, ficamos no mínimo curiosos, sobre as
vantagens do que alguns definem como “novo dinheiro” – Criptomoeda. Será por
isso, uma questão de tempo até se generalizar na sociedade.


 


Antes de sintetizarmos
algumas das vantagens das criptomoedas, recordamos o seguinte:


 


 

Atualmente há mais dispositivos móveis no planeta, que o número de habitantes;


 

 Uma enorme parte da população mundial
possui telefone móvel, muitas vezes um smartphone;


 

Grande
parte da população ainda se encontra excluída do sistema bancário comum.


 


Após estes factos, podemos
depreender que a população tem um telefone, mas muita dessa população, não tem
qualquer acesso a um serviço ou conta bancária.


 


Desta forma e assumindo por
parte do utilizador a posse de um dispositivo com acesso à Internet,
independentemente da localização geográfica, a utilização da criptomoeda
viabiliza situações favoráveis aos seus utilizadores, permitindo, entre outras,
as seguintes vantagens:


 

Facilidade de utilização – Podem ser utilizadas em qualquer parte do
mundo, em qualquer momento e por qualquer pessoa;

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Maior rapidez – Torna possível o envio e receção
de valores monetários (criptomoedas) num curto espaço de tempo, que pode ser
apenas escassos minutos ou até mesmo segundos;


 

Taxas mais baixas – As transações podem ser efetuadas
a um custo muito reduzido, praticamente nulo ou até inexistente;


 


Maior segurança

– Esta vantagem é possível tendo em conta a segurança da
tecnologia em que este conceito foi desenvolvido – Blockchain;


 

Redução de burocracia – Para efetuar uma transação é na maior
parte dos casos, apenas necessário, indicar o valor a enviar e o destinatário do
mesmo, no entanto tudo irá depender da criptomoeda e do método que estamos a
utilizar para a transação;


 


Descontos nos preços de produtos e serviços
– Existem na atualidade empresas que
oferecem descontos aos clientes que efetuem pagamentos em criptomoedas.

 

Existem ainda dois conceitos (volatilidade e Legislação/Regulamentação) que
neste momento, vamos evidenciar como vantagens, a parte em que estes conceitos
assumem um cenário positivo, mais tarde – nas desvantagens, vamos explicar a
ambiguidade destes conceitos.


 

Volatilidade –
Volatilidade (oscilação do valor das criptomoedas) é uma vantagem para
investidores,
através da qual podem
concretizar o seu objetivo – o lucro;


 

Legislação/Regulamentação – A regulamentação e legislação está a dar os primeiros passos para cobrir
este conceito emergente das criptomoedas. Existem inclusive países como por
exemplo EUA, no seu Estado de Nova York que desde 2014 tem legislação sobre o
mundo das criptomoedas, através da New
York Bit License
. Referimos ainda que outros países, como por exemplo Japão,
Singapura e Brasil, possuem já alguns pacotes legislativos sobre a matéria de
criptomoedas. Contudo, as legislações diferem entre si de país para país,
dependendo de como os legisladores elaborem as leis, ou até mesmo como
interpretam o próprio conceito de criptomoeda, que como referimos não é
consensual. No entanto, quando a legislação existe, é uma vantagem, porque dá
garantias reais ao utilizador de que o conceito tecnológico é legal e por isso o
utilizador sente normalmente maior confiança em utilizá-lo. Afinal, não é
possível legislar sobre alguma coisa que ainda não existe! É o processo normal
nestas situações em que primeiro surge a criação, a inovação, a invenção e só
depois então surge a legislação.

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Listamos algumas das vantagens
desta tecnologia, mas importa referir, que podem existir outras e até mesmo
algumas ainda serem desconhecidas na atualidade, tendo em conta o processo
inicial e natural de crescimento, em que se encontra este conceito.


No entanto e com o mesmo grau
de importância, daremos destaque no próximo capítulo, também às desvantagens das
criptomoedas, pois para uma utilização consciente, por parte dos utilizadores
desta tecnologia, é necessário ter a perspetiva das “duas faces da mesma moeda”.

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2.2  

Desvantagens

Tudo na vida tem dois lados, estarmos informados dos prós e contras, das vantagens e
desvantagens, é essencial para a boa utilização de qualquer conceito, ainda mais
quando é algo inovador como no caso das criptomoedas.

Por isso, vejamos
então algumas desvantagens das criptomoedas e vamos iniciar pela volatilidade e
regulamentação/legislação, para explicar a ambiguidade deste conceitos,
referidos também como vantagens anteriormente.


 


Volatilidade

– o risco associado à oscilação do valor das criptomoedas em geral, é de facto
umas das maiores desvantagens, para quem as pretenda utilizar unicamente, como
meio de troca, por exemplo: envio/recepção, pagamento, etc.


 

É importante referir que existem no mercado das criptomoedas as chamadas
Stable Coins – moedas estáveis, cujo valor, como do próprio nome se
depreende, é tendencialmente estável, pois não partilham da característica de
volatilidade como as demais criptomoedas. Mas, neste caso, pela sua
estabilidade, não são apreciadas para o investimento, pois como referimos nas
vantagens a volatilidade é apreciada pelos investidores.


           


Retomando as desvantagens…


 


 


Regulamentação e legislação
– Na grande maioria dos países ainda não
existe regulamentação e legislação para as criptomoedas. Obviamente, tudo o que
não está devidamente regulamentado e legislado, suscita dúvidas, pois não
existem linhas de guia que orientem e delimitem o que é aceite do que não é, e
isso torna confusa a sua utilização.

&nbsp
 

 Cada vez mais países estão a minimizar esta desvantagem e a criar a sua própria
legislação, para o assunto. Na atuali­dade, na maior parte dos países, a nível
mundial, ainda não existe regulamentação e/ou legislação para lidar com as

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&nbsp
 

 criptomoedas. Isto significa dizer que não havendo regulamentação ou legislação,
quem decidir investir em criptomoedas, estará por sua própria conta e risco. Por
outras palavras, não existirá qualquer proteção ao investidor, no caso da perda
de dinheiro investido em criptomoedas.
Se compararmos com o sistema bancário convencional, como está totalmente
regulamentado, o investidor, embora possa correr também alguns riscos, terá
sempre ao seu dispor diversos mecanismos legais que o protegem e aos quais
poderá recorrer;


 


Máquinas Automáticas (ATM bitcoin) e
Terminais de Pagamento
– Existem máquinas e equipamentos que fazem a ligação entre
o dinheiro físico e as criptomoedas, como explicaremos adiante no capítulo de
armazenamento e transações. No entanto, na atualidade, a quantidade existente
destas máquinas automáticas e equipamentos, ainda é insuficiente, facto que não
potencia a visibilidade para a existência das criptomoedas, principalmente pelos
mais distraídos no uso das novas tecnologias;


 



Hacking

As ações incorretas dos chamados piratas da Internet, os Hackers,
estão também na origem de alguns mal entendidos e boatos infundados sobre as
criptomoedas, nomeadamente sobre a segurança das mesmas. É facto, já existiram
roubos em carteiras digitais e Exchanges, locais onde se podem armazenar
criptomoedas, como veremos em detalhe num capítulo próprio, mas continuando,
também existem com frequência roubos de moedas FIAT (euros, dólares, libras,
reais, etc.) e esses atos incorretos, não tornam as moedas físicas convencionais
inseguras. Um assalto, um roubo, infelizmente pode e vai sempre acontecer, tanto
no mundo quotidiano tradicional, como no mundo virtual e perante este
acontecimento, devemos questionar a segurança dos nossos bens e não a
fiabilidade dos mesmos;

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Resistência à mudança
– A descoberta de algo diferente do que já existe, é
essencial para a evolução dos tempos, mas como sabemos não é fácil mudar. Este
passo de mudança, neste caso, dos conceitos tradicionais e conhecidos, para os
conceitos desconhecidos que exigem tempo de adaptação, dedicação e aprendizagem,
a maioria das pessoas, tende a resistir. Logo, acontecem interpretações,
incorretas, o que origina muitas vezes, ruídos de comunicação que levam a boatos
enganosos. Claro que, quando estamos perante conceitos inovadores bem-sucedidos,
como o caso das criptomoedas, o fundamento dessas resistências rapidamente
termina, e quem no passado resistiu, num futuro, mais cedo ou mais tarde, terá
de aderir, tal como sucedeu por exemplo com os cartões bancários e o
homebanking.  

&nbsp
 

Estas são, no nosso entendimento, as
desvantagens mais relevantes das criptomoedas, mas certamente à medida que vai
aprendendo sobre o assunto, terá também a sua opinião e experiência e
possivelmente poderá identificar outras desvantagens, que mereçam destaque.

18

 


2.3  

Princípios
Básicos de Segurança

 

Segurança é uma das necessidades básicas do ser humano, todos gostamos de nos
sentir em segurança, por isso, fechamos a porta da nossa casa, trancamos o nosso
carro, contratamos seguros contra tudo e todos, e por aí vai, no que diz
respeito às ações de segurança. Assim sendo, fora do mundo virtual, as empresas,
que nos prestam serviços de segurança, por exemplo, as empresas de seguros e
alarmes, sujeitam-nos a extensas burocracias, para que sejamos identificados
como os reais detentores do serviço a prestar.


 

E
no mundo virtual, como funcionam as medidas de segurança?


 

No
mundo virtual, as medidas de segurança, funcionam analogamente como fora do
mundo virtual, ou seja, existem medidas de segurança que todos somos obrigados a
seguir, as quais vamos designar de
“Medidas de Segurança Obrigatórias
”; e outras (medidas de segurança), que
por norma, dão a opção (com frequência) sobre a sua utilização, as quais
denominaremos aqui, como ”Medidas de
Segurança Opcionais”
:


 


Medidas de Segurança Obrigatórias

Comecemos, por informar, sobre as medidas de segurança obrigatórias, ou seja, as
medidas de segurança mais comuns a que todos os utilizadores são sujeitos
(obrigados a cumprir caso pretendam usufruir de determinado serviço) pelas
próprias empresas prestadoras de serviços.

Estas medidas são necessárias, para salvaguardar os serviços prestados pelas
empresas. Por exemplo, a Coinbase, que entre outras funcionalidades, presta o
serviço de armazenar as suas criptomoedas, tem de certificar-se que o utilizador
é, quem realmente diz que é, tal e qual, como a sua seguradora pede a sua
identificação para resolver alguma situação com a sua apólice.

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Assim, é prática comum a utilização de métodos de segurança, em algumas empresas
prestadoras de serviços virtuais, tal como nas empresas fora do mundo virtual.



 


Mencionamos agora, neste caso, dois dos métodos de segurança mais utilizados:



 


KYC – Know Your Customer


“Conheça o Seu Cliente”, é a tradução deste conceito. Este é um método que passa
pelo processo de identificação e verificação da identidade de determinado
cliente. Dependendo de empresa para empresa, o método difere, por exemplo na
quantidade de dados solicitados ao cliente e no tipo de exigência dos mesmos,
consoante a complexidade dos serviços solicitados, pelo utilizador, ao prestador
de serviços.


Por exemplo: para visualizar o seu saldo de
bitcoins
, na sua carteira digital, poder-lhe-á ser solicitado apenas o nome
e e-mail, no entanto, para
transacionar criptomoedas, a quantidade e a exigência dos dados solicitados
poderá ser diferente, eventualmente com um pedido de número de telefone e/ou um
comprovativo de endereço. E por esta lógica, consoante aumenta o nível de risco
e complexidade da operação a efetuar, na mesma proporção, pode aumentar a
quantidade e o tipo de documentação que lhe é exigida.


O objetivo principal
deste método é sempre o mesmo, ou seja, a empresa prestadora de serviços deve
garantir com o maior nível de confiança e fiabilidade possível, a identificação
real e fidedigna do seu cliente, para assegurar a idoneidade e a segurança dos
serviços prestados.

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AML – Anti Money Laundering


 


Começando, por traduzir este
conceito, “Anti Lavagem de Dinheiro”, é um método que tem como objetivo criar
uma série de procedimentos, leis, regulamentações, regras, regulamentos,
legislações que permitam evitar comportamentos ilegais que possam acontecer para
auferir rendimentos de forma irregular, ilícita e ilegal.


 


Exemplo: Na maioria dos bancos comerciais se
depositar uma quantia de pequeno valor nada lhe é questionado, mas se depositar
uma quantia exageradamente elevada para o fluxo habitual da sua conta bancária,
vai certamente ser questionado sobre a proveniência desse valor, etc.


Agora, no caso das criptomoedas,
uma transação de uma quantia elevada,
pode por vezes, também
ser interpretada
como
suspeita
e por
isso
monitorizada, pelas empresas prestadoras
destes serviços virtuais.


 


           
As instituições financeiras convencionais, já levam anos de avanço no uso
destes métodos. No entanto, como já referimos, estas exigências de
regulamentação e legislação, estão a iniciar nas criptomoedas. Contudo, na sua
maioria, as empresas prestadoras de serviços de criptomoedas, são
entidades sérias
e
realizam o seu KYC e AML, por vezes, com base em suporte legislativo atual
do sistema financeiro convencional, que adaptam ao mundo das criptomoedas.


           
Estes procedimentos, são usuais e muitas vezes obrigatórios por lei, e
foram replicados de fora para dentro do mundo
on-line, com o mesmo objetivo,
controlar as atividades dos clientes/utilizadores e a legalidade das mesmas,
para que as empresas convencionais e
on-line
, possam proteger-se e salvaguardar a idoneidade das suas atividades.

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Medidas de Segurança Opcionais


São medidas de segurança que tendem a ser opcionais, ou seja, por norma os
utilizadores têm a possibilidade de optar sobre a sua utilização, comummente com
maior frequência, sem invalidar o facto, de também estas poderem ser
obrigatórias, por algumas empresas prestadoras de serviços, em algumas
situações.


Neste caso, a regra também é a mesma, proteja-se, tal como o faz fora do mundo
virtual, por isso sempre que lhe seja dada a possibilidade de escolher um método
que lhe proporcione um serviço mais seguro (um acréscimo de segurança extra por
exemplo) tome essa opção, pois nenhum dispositivo é na realidade totalmente
seguro.


Neste sentido, existem algumas informações de segurança virtual que é bom que
lhe sejam familiares. E lembre-se que estas informações vão ser-lhe úteis tanto
para funcionar no meio das criptomoedas, como em qualquer ambiente virtual, onde
pretenda interagir.


Hoje em dia, trabalhamos, estudamos e interagimos pessoalmente em ambiente
virtual, através dos vários aplicativos para os efeitos que desejamos, estando
na realidade muitas horas do nosso dia, já no mundo virtual. No entanto, muitos
dos utilizadores, usam como segurança apenas o mínimo que lhes é exigido, por
exemplo, num aplicativo de e-mail
utilizam apenas a habitual combinação entre utilizador e palavra-passe mas se desejar
estar melhor protegido e resguardar com maior fiabilidade a sua privacidade e os
seus dados, este método pode ser insuficiente.


Existe um nível extra de
segurança, denominado 2FA, “Two Factor Authentication”, ou seja,
traduzindo seria algo como “Dois Fatores de Autenticação”. O que significa que
com este método, teremos um passo adicional para verificação da nossa
identidade, para além da convencional, como por exemplo, o envio de um SMS com
um código. Aqui, a combinação utilizador e palavra-passe, não é suficiente para
acedermos à conta respetiva e teremos sempre que
introduzir o código enviado por SMS, ou seja, o passo adicional de segurança
acrescida, sendo o SMS enviado para o número de telefone que introduzimos nas
configurações da nossa conta, destinadas para o efeito.


O
método de 2FA é atualmente muito usual, em muitos serviços e também no mundo das
criptomoedas, nomeadamente nas carteiras digitais de criptomoedas e também nas
Exchange.

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Existem, no entanto, outros métodos de segurança acrescida, dependendo do que é
reconhecido pelo sistema que estamos a utilizar. Por exemplo, as aplicações
(vulgo Apps) que podem ser instaladas
no nosso smartphone, tais como:
Google Authenticator e
Authy
, e que igualmente permitem uma segurança acrescida, nestes casos
enviando um código a cada 20 segundos, tempo este que é o que o utilizador tem
para introduzir o respetivo código enviado. Depois dos 20 segundos, um novo
código será enviado e assim sucessivamente.


A
prevenção é fundamental, por isso se pretender minimizar as probabilidades de
alguém aceder de forma ilícita a dados que não lhe pertencem, neste caso
específico deste tema, às suas criptomoedas, proteja a sua privacidade e os seus
dados, prevenindo-se e optando por configurar algum método de segurança
acrescida.


Desta forma, eleva a um outro patamar a maximização de proteção dos seus dados e
informações. Neste mundo virtual, faça disso, a sua regra básica de segurança.

23


3  

– Armazenamento e Transações

3.1  

Carteira Digital

 


Numa carteira convencional guarda o seu dinheiro físico, sejam moedas ou
notas.


 


E no mundo das criptomoedas? Já pensou como guardar os seus bitcoins ou
qualquer outra criptomoeda? De que necessita afinal?


 


Simplificando, dizemos que necessita de uma carteira digital. Assim,
definimos carteira digital, como sendo o local onde armazena as suas
criptomoedas.


 


Uma das carteiras digitais de referência mundial é a Coinbase. Existem
outras igualmente importantes, e pelas quais pode optar, como a
Bitcoin Core,
Xapo ou Spectrocoin. No
entanto, em relação ao armazenamento de criptomoedas, em carteiras digitais,
existem outros itens a considerar, ou seja, para além, de escolher determinada
carteira digital, poderá decidir mediante o tipo de armazenamento e o tipo de
Carteira Digital, que mais lhe seja conveniente.


Nesta sequência, informamos em seguida sobre os tipos de armazenamento e
os tipos de carteira digital, possíveis entre as várias opções da atualidade:


 


Tipos de Armazenamento:


 


 




Hot Storage
ou Hot Wallet


Armazenamento sempre
on-line, para utilização regular.


 


 




Cold Storage
ou Cold Wallet


Armazenamento (quase) sempre
off-line, para utilização pontual.

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Tipos de Carteira Digital:


 


On-line

Está sempre on-line e portanto
acessível em qualquer parte do mundo, normalmente através de um acesso a um
site
ou por uma app, ficando as informações do utilizador armazenadas
pela respetiva empresa, ou seja Carteira Digital tipo On-line é um
armazenamento do tipo
Hot Wallet.


Exemplo:
Coinbase


 


Móvel

Por norma, concebidas para um dispositivo móvel, que não estará necessariamente
sempre on-line, o que o distingue de
uma “carteira online”, pois este tipo de armazenamento (móvel) pressupõe uma
instalação prévia num dispositivo. As informações/criptomoedas do utilizador
ficam armazenadas de forma digital nesse dispositivo. No entanto, neste tipo de
“carteira móvel”, o envio das criptomoedas pode ser efetuado normalmente, ou
seja, recorrendo ao mundo virtual. Neste caso, o armazenamento é do tipo

Cold Wallet
, porque
não
estará necessária e obrigatoriamente
on-line
.


Exemplo:

Bitcoin Core


 


 


Hardware

De
forma simples podemos definir como uma carteira física, muitas vezes com
aparência física semelhante a uma pendrive,
do tipo USB, na qual ficam armazenadas as informações do utilizador.
Posteriormente o envio das criptomoedas é efetuado, por exemplo via
on-line utilizando um dispositivo
móvel que dependerá da escolha do utilizador. Na carteira digital

Hardware
o armazenamento é do tipo

Cold
Wallet.


Exemplo:

Trezor

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Papel

Pode parecer estranho, pois estamos a falar do mundo digital e virtual, e o
papel é físico, mas neste caso significa dizer, que o armazenamento é
literalmente em papel. No caso, o que fica armazenado na “carteira papel” é o
acesso aos bitcoins – “chave” e não os bitcoins. Neste caso, os bitcoins em si,
estão armazenados na blockchain, o que origina que este método de
armazenamento em “carteira papel”, seja um dos mais seguros. Neste caso, estamos
perante um armazenamento do tipo

Cold Wallet.


Exemplo:
Bitaddress

26

3.2  

Operações:
Compra/Venda

 


Um passo fundamental para a utilização de
criptomoedas é comprar criptomoedas! Assim e no geral, terá de proceder de modo
igual ou similar, como quando pretende adquirir algum outro produto virtual, ou
seja, recorrendo a moeda FIAT, através de um cartão de débito/crédito, ou por
meio de transferência bancária. E no caso de conseguir ter acesso a uma “ATM
bitcoin” (máquina similar às ATMs convencionais que opera com criptomoedas),
poderá utilizar ainda moeda FIAT física, para realizar esta operação.


Para o utilizador comum, a carteira digital é o local
mais frequente para efetuar a compra de criptomoeda, através de Moeda FIAT, no
entanto também é possível realizar esta operação numa
Exchange ou numa máquina de ATM
bitcoin, como já referimos.


Após esta operação de compra de criptomoedas, poderá
começar a utilizar criptomoedas em plenitude, efetuando as operações que
pretender, vender/trocar/converter, enviar, efetuar pagamentos. Numa fase
posterior de aprendizagem, onde obtenha informação suficiente para o domínio da
prática, poderá inclusive efetuar investimentos, pois investir –
trading,
holding, são também operações possíveis no mundo das criptomoedas,
como veremos adiante.


Para que fique claro, é normal que exista um processo de
crescimento progressivo, mesmo numa inovação de sucesso, como o caso das
criptomoedas, ou seja, na realidade a utilização das criptomoedas, está a
tornar-se gradualmente parte do nosso quotidiano, e acreditamos, que em breve
será comum entre todos nós.


Por isso parabéns, por estar neste momento, determinado
em adquirir conhecimento sobre esta matéria – é um investimento com retorno a
curto prazo!

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3.3  

Operações:
Envio/receção

 


Outra das várias utilizações possíveis das
criptomoedas é o Envio/Receção de um determinado valor em criptomoeda. Significa
que, uma determinada criptomoeda, é enviada pela entidade A e rececionada pela
entidade B. Obviamente que essa criptomoeda também pode ser convertida em outra
criptomoeda e/ou em moeda FIAT (euros, dólares, libras, reais, etc…). Por isso,
esta utilização pode ser encarada, como um simples Envio/Receção de um valor
monetário, em criptomoedas, neste caso, sem restrição geográfica, de forma
rápida, segura e a um custo reduzido e/ou inexistente.


Ainda em relação ao
Envio/Receção de criptomoedas, neste momento, recorde-se do passado e lembre-se
de como adquiria produtos e/ou serviços apenas há uns anos atrás.


Que tipo de meio de
pagamento utilizava? Certamente, não era igual à actualidade. E quanto mais
recuarmos no passado, mais iremos constatar a evolução dos tempos, em relação às
tecnologias que foram surgindo e facilitando diferentes possibilidades na troca
proveniente da aquisição de bens e/ou serviços.


Como a evolução é
contínua, estamos neste momento perante uma nova fase, este meio de pagamento
virtual (criptomoedas), que vem agora complementar e contribuir para a evolução
dos meios de pagamento já existentes, nomeadamente com a sua rapidez e
segurança.


De forma direta, as
criptomoedas, em casos pontuais, contribuem para a redução do preço dos bens e
serviços, através dos descontos oferecidos por algumas empresas, na utilização
de criptomoedas como um meio de pagamento, e de forma geral e indiretamente,
pela redução de intermediários necessários para este processo.


Na prática, embora existam cada
vez mais, estabelecimentos comerciais e empresas a aderirem a este tipo de
pagamento, ainda não é possível, na maioria dos casos, efetuar pagamentos em
criptomoeda.


E porque esta operação – efetuar pagamento em
criptomoeda, está a tornar-se cada dia mais comum, é importante referir, que na
verdade, em termos de procedimento, estamos unicamente a efetuar o mesmo: Envio/Receção de
criptomoeda, ou seja, a criptomoeda X é enviada pela entidade A e rececionada
pela entidade B. Por isso é tão simples operar com criptomoedas!

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Aproveitamos para sumarizar, as diferenças, comparativamente ao envio
convencional de dinheiro:

  


Rapidez extrema
– Receção em minutos ou segundos, na maioria dos casos, dependendo da criptomoeda que estamos a utilizar e do fluxo da rede.

  


Menor Custo
– Pelo facto desta tecnologia, reduzir a necessidade de intervenção de intermediários, como por exemplo, bancos comerciais, permite que o valor enviado, seja aproximadamente o mesmo e por vezes exatamente o mesmo.

  


Maior Segurança
– Todas as características
da tecnologia Blockchain justificam este item. Por exemplo, o valor
enviado fica registado para sempre, devido à imutabilidade da tecnologia em si.
É também mais segura, porque necessita de menor intervenção humana e por isso a
possibilidade de ocorrência de erro humano é consideravelmente menor.

29

3.4  

Exchange

 



Exchange
, um local virtual no mundo das
criptomoedas bastante usual e de uma enorme importância. Mas o que é uma
Exchange? Podemos definir de uma forma
muito simples, dizendo que é uma casa de câmbios virtual, ou seja, uma
plataforma onde se transaciona, em tempo real, criptomoedas, de forma similar a
uma casa de câmbios convencional, mas acolhida no mundo virtual, com
funcionamento integral 24h.


Neste local virtual de câmbios, pode então efetuar
transações, como por exemplo: compra e venda de criptomoedas; investimentos de
trading e
holding, assim como, dependendo da diversidade, dos serviços
prestados pelas “Exchanges”, podem ser também feitas conversões de criptomoedas
para moedas FIAT, seja para conta bancária ou para cartão convencional. Mais
recentemente, as máquinas e equipamentos como, por exemplo as “ATM bitcoin”,
(faremos referência adiante neste capítulo), podem também apresentar ligação a
uma “Exchange”, para a realização das
operações com criptomoedas.


Tendo em conta, o facto de na atualidade existirem várias
Exchange disponíveis, acontece com
frequência a dúvida por parte de alguns utilizadores, sobre qual o critério a
seguir para a escolha de uma Exchange,
no entanto esta escolha é de facto subjetiva, pois deverá ir de encontro aos
objetivos pretendidos pelo utilizador, pois é como escolher um carro, um
computador, um telefone, etc… Opte mediante os seus interesses. Contudo,
deixamos aqui alguns exemplos de Exchange,
apenas para que inicie a sua pesquisa.


Exemplos de Exchange:
Bittrex, Coinbase Pro,
Kraken.

30

3.5  

Investimento – Trading


De um modo geral Trading, é o simples ato de comprar e vender algo, para obter
lucro, quase sempre num horizonte temporal curto, o que pode significar até
várias vezes num só dia, por isso, os investidores consideram-no um investimento
de curto prazo.


Neste caso, a compra/venda normalmente acontece quando o
investidor entender que é o momento ideal para atingir o seu objetivo de
obtenção de lucro.


Exemplificando com criptomoedas, o Trading
acontece quando compra uma criptomoeda, a um determinado valor e tenta vender, a
um valor superior, ao valor pelo qual comprou, num curto espaço de tempo, sempre
com o objetivo de obter lucro.


Como já sabe, uma das características das criptomoedas é
a volatilidade, ou seja, a oscilação do seu valor pode acontecer por vezes de
uma forma imprevisível e por isso, muitas vezes, é necessário uma certa perícia,
experiência e sensibilidade, por parte do investidor, para que o lucro aconteça.
O Trading aplicado às criptomoedas é a simples operação de compra e venda
como já referimos, no entanto, a complexidade desta operação, vem das decisões:

 
 
Quando comprar?

 
 
Em qual criptomoeda investir?

 
 
Onde comprar?

 
 
Como comprar e/ou vender? (por exemplo: Moeda Fiat ou Criptomoeda)

 
 
Onde vender?

 
 
Quando vender?


É possível de facto, ganhar dinheiro desta forma, mas o
inverso também é verdadeiro. Existem na atualidade, já muitos relatos, tanto de
grandes ganhos, como de perdas de elevadas quantias de dinheiro investidos em
criptomoedas.

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Obviamente, que os investimentos são um risco em qualquer
área, não só no mundo das criptomoedas, mas também como em outra área, por isso,
saber como investir é fundamental.


Ora, o objetivo deste ponto, neste nível de aprendizagem, é informá-lo das
possíveis formas de utilização das criptomoedas, sendo o trading, uma
dessas formas. No entanto, para efetuar este tipo de utilização/investimento,
com criptomoedas, é necessário aprender detalhadamente sobre o tema, pois
existem algumas particularidades do trading bem distintas dos demais, por
exemplo o facto de ser possível efetuar transações 24h, o que significa que terá
de estar atento ao seu investimento sempre, ou quase sempre, pois não existe um
horário especifico para as transações acontecerem. E de um momento para o outro,
pode ganhar muito, mas também perder muito.


Não estamos a encorajar, nem a desencorajar o
investimento, mas a reforçar a atenção, que se deve ter no investimento em
criptomoedas, como aliás em qualquer outro.

32

3.6  

Investimento – Holding

 


O objetivo de qualquer investimento é o ganho, no
entanto, a velocidade com que o retorno, desse investimento acontece, depende do
tipo de investimento em si. O Holding,
é por isso, um investimento de longo prazo, destinado a quem tem pouca
disponibilidade e pouca perseverança, para um acompanhamento regular do mercado
em questão, e ao mesmo tempo, dispõe de um fundo de maneio, que permite a
espera, que neste caso, poderá ser longa, para obter retorno do investimento –
lucro.


No caso concreto, do investimento do tipo
Holding em criptomoedas, basicamente
compramos determinada criptomoeda e aguardamos a sua valorização a médio e/ou
longo prazo. Quando a criptomoeda chegar a um valor superior que nos satisfaça,
há a decisão, da respetiva venda, no sentido de obtermos lucro.


De igual forma ao
Trading, tenha presente que é necessário conhecimento específico,
para gerar rendimento, através deste tipo de investimento. Como tudo na vida, se
quer ser bom em determinado assunto, primeiro adquira conhecimento, depois
pratique e a seguir arrisque, mas aí o risco já será um passo consciente. 


Como já sabe, as criptomoedas não servem apenas para
fazer investimentos de Trading e
Holding. Talvez num futuro próximo, os
investimentos em criptomoedas possam deixar de representar a sua maior
utilização. Outras operações de utilização, tais como envio/receção de
determinado valor em criptomoedas, ou aquisição de bens e/ou serviços, através
do pagamento em criptomoedas, vão ser provavelmente operações mais expressivas
no mundo.


Por isso, continue a formar-se, pois daqui a pouco
tempo, vai sentir-se muito bem, por estar na linha da frente na utilização
destes conceitos.

33

3.7  

Máquinas
Automáticas (ATM bitcoin) e Terminais de Pagamento

 


Estas máquinas “ATM bitcoin”, como são normalmente denominadas,
assemelham-se de aspeto físico a uma ATM convencional. No entanto, são máquinas
que permitem operações de compra e/ou venda de bitcoins, utilizando moeda FIAT,
ou seja, permitem a utilização de dinheiro físico e/ou cartão de débito, para
realizar as referidas operações com criptomoedas.


Este tipo de máquina “ATM bitcoin”, está conectado à Internet e permite
normalmente, uma ligação do utilizador a uma determinada
Exchange de bitcoin. Outra
particularidade destas máquinas – ATM de bitcoin, é que ao contrário, das ATMs
convencionais, não têm conexão a uma conta bancária.


São bastante úteis estas máquinas, pois dão uma outra possibilidade de
adquirir bitcoin – através do dinheiro físico, já que, obviamente no mundo
virtual, esta forma de aquisição física, de bitcoin é impossível. Existe ainda,
uma outra vantagem na utilização destes equipamentos, para além, de serem
simples de utilizar, os processos burocráticos são também mais reduzidos.


Estamos a falar de bitcoin mas muitas destas máquinas, para além de
permitirem as operações atrás referidas com a criptomoeda bitcoin, permitem, por
vezes, as mesmas operações com outras criptomoedas, tal como ether (ETH) e
litecoin (LTC) por exemplo, mas as Altcoins equacionadas por estes equipamentos
ainda são poucas.


Presentemente estas máquinas não são comuns em qualquer lugar, como já
mencionamos nas desvantagens, embora já existem ATMs de bitcoin em largas
dezenas de países.


A nível
mundial, presentemente, já existem mais de 7000 ATMs de bitcoins, sendo os EUA o
país que detém a maior quantidade de máquinas no Mundo, ultrapassando as 5000
ATMs; seguidos pelo Canadá e Reino Unido, com mais de 700 ATMs e 300 ATMs,
respetivamente. Países como Áustria, Espanha e Suíça, possuem entre eles 100 a
150 equipamentos. As restantes máquinas encontram-se distribuídas por exemplo pela Alemanha, Itália, Portugal, Brasil, Colômbia e outros.

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Atualmente o número existente deste tipo de equipamentos não é expressivo,
tal como não era expressivo, o número de máquinas ATM convencionais, existentes
na década de 80 do século XX, por exemplo, mas como a tecnologia sempre leva a
melhor com o decorrer dos tempos, a tendência será para aumentar e em todo o
mundo.


Em relação aos terminais específicos de pagamento por criptomoeda, a
tendência de crescimento de número de máquinas disponível, poderá não ser
evolutiva, pois em locais, onde o pagamento por criptomoedas é possível,
normalmente são utilizados cartões convencionais de débito e/ou crédito que
tenham acordos prévios, efetuados entre esses locais e por exemplo a rede
internacional Visa, o que significa, que um TPA convencional, é por norma,
suficiente para realizar a operação de pagamento com criptomoedas.


A carteira digital – Coinbase, oferece aos seus clientes a possibilidade de
adquirirem o seu próprio cartão, o “Cartão Coinbase”, reconhecido pela rede
Visa. Este cartão, permite ao seu detentor, realizar as principais operações com
criptomoedas, da mesma forma, que faz com as moedas FIAT, no sistema bancário
convencional. O “Cartão Coinbase” é apenas um exemplo, pois existem
presentemente outros cartões similares e com certeza, num futuro próximo, muitos
mais vão surgir, facilitando a ligação entre o sistema financeiro convencional e
o mundo das criptomoedas.


É importante referir, na grande maior parte dos casos, o pagamento por
criptomoedas, é efetuado no mundo digital, ou seja, não existe a necessidade de
recorrer a meios físicos, pois é suficiente que o utilizador por exemplo, tenha
acesso a uma aplicação (APP), criada para o efeito, ou a um código QR, que
possua as informações necessárias, para efetuar o pagamento, desta forma
inovadora.

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4   
– Tecnologia Blockchain

4.1  
Conceitos e
Utilidades

 


A tecnologia que já está a mudar o mundo – a
Blockchain – é associada a uma Nova Era de Internet. No entanto,
apesar dessa imponente caracterização, apercebemo-nos, ao longo das palestras
presenciais que ministrámos, por vários locais, em países diferentes, que
atualmente poucos a conhecem.


Na sua primeira aplicação prática, a tecnologia
Blockchain deu origem ao conceito de criptomoeda, tendo a
Blockchain começado com o
bitcoin, a primeira criptomoeda do
mundo. Este conceito tecnológico inovador, complementar
ao sistema tradicional financeiro, vem trazer ao dinheiro e às transações
financeiras, diferentes e diversas definições, assim como novas regras, como já
vimos.


Para destacar esta nova era da tecnologia
Blockchain, atrevemo-nos a afirmar que este conceito (criptomoeda) é
apenas uma peça de um enorme puzzle de
infindáveis aplicações possíveis, com esta tecnologia.


A intervenção desta nova e emergente tecnologia, acontecerá gradualmente em
todas as áreas empresariais, desde o mundo académico, até à IoT (Internet
of
Things) passando pelo financeiro,
saúde, segurança, entre muitos outros.


É facto, todos nós vamos ter de utilizar a tecnologia
Blockchain, (tal como também tivemos que utilizar a Internet e o
fazemos até hoje) de forma direta ou indireta, mais tarde ou mais cedo, devido a
questões de ordem pessoal e/ou profissional. Em algum momento, algures num
futuro cada vez mais próximo, esta necessidade vai surgir.


Esperamos ter despertado o seu interesse para
prosseguir com o seu conhecimento sobre
Blockchain.

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Na realidade, como já referimos, esta emergente
tecnologia Blockchain, surge através
da programação do Bitcoin. Muito
embora, o objetivo da entidade Satoshi Nakamoto, tenha sido
claro e explícito, como sendo, a criação do
Bitcoin, pois Satoshi Nakamoto, nunca
referiu a tecnologia Blockchain, no paper (artigo) que ele próprio
escreveu – o artigo onde são referidas e explanadas as bases do programa
desenvolvido e que originou o Bitcoin.


A entidade Satoshi Nakamoto não criou
diretamente a tecnologia Blockchain, digamos assim, ou seja, criou, mas
não teve esse objetivo de forma direta e explícita inicialmente, tendo sido uma
consequência da criação do próprio Bitcoin.
Ora, os eventos subsequentes do sucesso do
Bitcoin
, já são conhecidos por todos e devido a isso, estamos aqui a
escrever sobre este tema.


A
Blockchain, é uma base de dados, diferente e inovadora,
comparativamente com as demais criadas até à atualidade. No entanto, é bastante
importante referir, que esta definição é muito geral e a um nível de utilizador
comum e não avançado, prescindindo de quaisquer explicações técnicas sobre
Blockchain,
pois teríamos de
acrescentar, muitas mais linhas de escrita e ainda termos técnicos, para
argumentar, por exemplo, porque é que esta tecnologia numa outra ótica, pode ser
também um
ledger. Mas num nível de aprendizagem inicial, essa explicação e muitas outras
do género, não trariam valor acrescentado para o entendimento geral dos
conceitos e utilidades da Tecnologia Blockchain.


Sendo assim e continuando ao nível do
utilizador comum, explicamos agora, a utilização
desta nova tecnologia. Por exemplo, a
Blockchain
pode ser utilizada através de programas desenvolvidos, com um
determinado objetivo – os famosos aplicativos ou Apps (ou dApps)
que todos temos acesso em qualquer smartphone
e que são muito úteis, para usufruirmos facilmente de produtos e
serviços.


Embora sejam atualmente, poucas as pessoas que conhecem
ou utilizam algum dos serviços que a tecnologia Blockchain
permite, pois tudo tem o seu processo de crescimento e com exceção dos
aplicativos que já foram desenvolvidos, por exemplo das criptomoedas, a maioria
ainda não existe, ou está em fase de desenvolvimento

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e/ou criação. No entanto, as previsões tecnológicas apontam que muitos
aplicativos vão resultar desta criação da Blockchain, com as mais diferentes
utilidades para todos.


Recuemos no tempo: Desde a década de 90 do Séc. XX, que a tecnologia da Internet
começou a ser utilizada com maior abrangência pelo comum das pessoas, mas
comparativamente a essa altura, será que actualmente, a Internet é utilizada da
mesma forma? Claro que não! É o que se passa neste momento com a tecnologia
Blockchain
.


Estamos num ponto semelhante àquele em que estávamos
relativamente à utilização da Internet, nessa década de 90, ou seja, existiu uma
evolução natural decorrente do seu processo de desenvolvimento que poucos
puderam antever como possível.


Primeiramente a Internet, nessa época, era utilizada
como um simples “motor de busca”, para adquirir informações e pouco mais, mas
neste momento as suas funcionalidades vão muito para além desse início,
incluindo conversações em áudio e vídeo, sem restrições geográficas.


Brevemente, a Internet – a rede que abriu as
fronteiras do mundo, irá atravessar uma nova era com a tecnologia
Blockchain, acrescentando-lhe valor
pela forma diferente, segura e eficaz, como enquanto base de dados distribuída e
descentralizada pela própria Internet, tornou possível armazenar a informação de
forma mais segura, mais rápida e mais económica.


Esta nova era, trará a todos a mudança de paradigmas
mentais, na forma como interagimos e atuamos na sociedade, assim como, irá
também modificar o método de trabalho de profissões e atividades, tais como:
advogados, contabilistas, gestores, informáticos, médicos, professores,
funcionários públicos, autoridades e empresários em geral, entre outros, e já
iniciou através das criptomoedas.


Para
que o utilizador fique bem esclarecido, sobre a importância e o impacto da
Blockchain no ecossistema tecnológico,
mas a título meramente informativo, com o aparecimento da tecnologia
Blockchain, um problema existente há
décadas, denominado “Generais Bizantinos”, foi resolvido! O que significa que com esta tecnologia, tornou-se possível, um sistema
distribuído funcionar devidamente de forma descentralizada e segura.

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A tecnologia Blockchain é baseada numa rede
descentralizada, que não depende de servidores – não existe hierarquia nesta
base de dados que é por si autónoma e descentralizada, por isso, a tecnologia
Blockchain foi a primeira base de dados a permitir armazenar informação de forma
descentralizada, confiável e segura. É uma tecnologia que está em contínuo
crescimento, assim como o seu potencial.


Contudo, comparativamente com a tecnologia da
Internet, que apenas existe uma (a própria Internet), neste caso, existem várias
Blockchain, pois cada produto (por exemplo uma criptomoeda) e/ou serviço
desenvolvido com base na tecnologia Blockchain, pode originar uma Blockchain
diferente, embora as suas principais características de base de dados, autónoma,
distribuída e descentralizada, estejam patentes em todas.


Para que se entenda melhor e utilizando uma analogia,
imagine as várias opções atuais, dos vários serviços de e-mail, por exemplo:
Gmail, Hotmail, Yahoo. Todos esses serviços de e-mail, têm como base comum a
mesma tecnologia e logo as funcionalidades básicas inerentes ao conceito de
“e-mail”, ou seja, garantidamente é possível enviar/receber emails em todos,
anexar ficheiros, etc. O que significa, que na sua essência, todos estes
serviços de correio eletrónico são iguais, no entanto, se analisarmos as opções
e layouts diferentes que oferecem aos seus utilizadores, vamos reparar, que
todos também podem ser diferentes entre si.


E porque queremos mesmo que fique esclarecido, faremos
mais uma analogia, desta vez, fora do mundo tecnológico, imagine uma criança na
escola primária, vai aprender a escrever, efetuar cálculos etc. Além de outros
materiais, vai querer que a criança na sua aprendizagem tenha um caderno, no
entanto, vai ser lógico que quando a criança estiver a aprender a escrever
utilize um caderno de linhas, já será mais indicado utilizar um caderno
quadriculado se estiver na aprendizagem de cálculos e assim sucessivamente, em
todas as matérias distintas. Ora, analogamente com a tecnologia Blockchain
sucede o mesmo, a essência da tecnologia é a mesma, mas as opções apresentadas pelas várias Blockchain, podem
ser distintas, pois dependem do objetivo do seu desenvolvimento.

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É sempre positivo ir além do que já foi desenvolvido,
e esta tecnologia apresenta variações, porque como código (programação) aberto,
está disponível para todos – os que desejem melhorá-la e/ou adaptá-la. Nessa
sequência, surgiram outras Blockchain, que originaram por exemplo, várias
Altcoins e, desta forma, se estendeu as potencialidades desta tecnologia no
geral.


Lembre-se, para programar é preciso ter conhecimentos
de programação mas antes é necessário ter ideias inovadoras e para isso é
preciso (unicamente) programar-se a si mesmo!


Note-se, por tudo o que já descrevemos, que a
tecnologia Blockchain é de facto, uma
base de dados, bastante distinta de todas as anteriormente desenvolvidas, a qual
funciona com blocos de dados estruturados sequencialmente de forma cronológica.
Os blocos da Blockchain estão
conectados entre si, por apontadores, onde cada bloco tem um apontador para o
bloco anterior. Cada um desses blocos contém informações, ou seja, as várias
transações efetuadas e registadas na
Blockchain
, que geram um registo de dados imutável, e no seu conjunto
constroem o bloco em si, que dará origem a uma sequência de blocos, crescente e
distribuída pelos “nós” – dispositivos/máquinas da rede; e assim que estes
mesmos dispositivos “nós” validarem a transação, a sua funcionalidade de
acrescento ao bloco ocorre.


Ora bem, numa linguagem mais próxima do utilizador,
esqueça por uns momentos o mundo tecnológico e pense num livro editado em
suporte físico de papel, onde também estão armazenadas informações, de forma
sequencial identificadas por uma numeração de páginas. Também nesse modelo de
armazenamento de informações, não consegue introduzir ou retirar informação, sem
que este procedimento seja notado pelos leitores/utilizadores, ou seja, se
rasgar uma página do livro, interfere com a sequência da informação, e logo esse
ato é notado, e o leitor saberá que a informação original foi adulterada, de
alguma forma. O mesmo acontece, se quiser adicionar uma página, no meio de um
livro já devidamente editado e encadernado, também não o conseguirá fazer de
forma desapercebida. No entanto, podemos acrescentar muito mais informações ao livro
de forma correta, utilizando a numeração sequencial e criando capítulos
subsequentes, que se traduzem em novas páginas, com ligações entre si, que
tornam lógica a forma de armazenamento de informação.

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Voltando à tecnologia
Blockchain, cada bloco representa nesta analogia uma página do
livro, que tem de ser colocada no lugar certo, no tempo certo, no momento exato,
para que tudo funcione como é suposto.


Entender a funcionalidade da tecnologia
per si, poderá não acrescer valor à
sua utilização, no caso de um utilizador comum. Por exemplo, e fazendo uma
analogia com o processo de envio de um
e-mail
, o utilizador não necessita saber como funciona a parte técnica deste
procedimento, pois apenas terá interesse em saber que o
e-mail chega ao destinatário, certo? Então de forma análoga, a
funcionalidade da Blockchain será
igual, ou seja, para utilizar a tecnologia
Blockchain
, não necessita necessariamente de saber como funciona, ou seja, para utilizar a tecnologia Blockchain, não necessita necessariamente de saber como funciona.


Outra analogia possível, imagine a
Blockchain como se fosse um sistema
operativo, por exemplo, o seu Windows, o seu Mac ou o seu Linux. Em qualquer
sistema operativo, todos temos aplicações, como, por exemplo, um processador de
texto, uma folha de cálculo, um browser,
programas de conversação, jogos, etc. Essas aplicações, correm no seu sistema
operativo porque alguém as programou previamente para tal, certo? À semelhança
das muitas aplicações que cada um possa ter no seu sistema operativo, a
Blockchain já permite e vai permitir,
muitas mais aplicações, que vão muito para além do Bitcoin, mas que, a um nível
mais básico apenas tem de saber utilizar.


Queremos ainda, deixar claro que, a tecnologia da
Internet é essencial para que tudo funcione com a tecnologia
Blockchain, o que significa, que sem a
Internet a Blockchain não seria
possível, por outro lado, sem a tecnologia
Blockchain
a Internet não evoluiria para uma outra era.

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4.2  

Características


Na tecnologia
Blockchain
, toda e qualquer informação que seja introduzida pelo utilizador
será guardada/armazenada de forma muito segura, transparente e imutável, pois é
um tipo especial, digamos assim, de base de dados.


Para um melhor entendimento e aproximação da
linguagem do utilizador, optamos por subdividir esta explicação em duas
vertentes: aquela em que o utilizador beneficia mas não utiliza (diretamente); e
aquela em que o utilizador beneficia e utiliza, ou seja:


 


Utilizador beneficia mas não utiliza
(diretamente):


 


Transparência total
: A verdade acima de tudo, e
para que isso aconteça é necessário que a informação seja pública e a
Blockchain
é uma tecnologia pública, pois qualquer utilizador pode aceder à
sua informação, sempre que quiser. No entanto, já existem e podem ser criados
Blockchain
privados, mas também estes, muitas vezes são públicos no seu
círculo, ou seja, a informação será, nesse caso pública, apenas no círculo
restrito pertencente a essa Blockchain.


 


 

Segurança muito elevada:
Uma das tecnologias mais seguras do
mundo, pese embora já tenham ocorrido tentativas de hacking, a nível da
rede e da própria Blockchain, com intuito de corromper os dados e/ou a
própria tecnologia. Devido à sua elevada segurança as informações/transações
contidas/registadas nos seus blocos, muito raramente estiveram em perigo, de ser
alteradas e/ou perdidas, ou seja, a sua imutabilidade tem sido garantida.

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Utilizador beneficia e utiliza:


 

Programas Informáticos/Aplicativos (Smart
Contracts
):
Estamos perante aquilo, em que
enquanto utilizador, terá maior interesse, ou seja, aplicativos, que
convencionalmente, também são denominados por
apps e/ou dapps – as
apps descentralizadas, que surgem com
a Blockchain, e que, em qualquer dos
casos, são puros programas informáticos, ou seja, código puro, desenvolvido por
programadores e que estão normalmente disponíveis em qualquer
smartphone,
tablet, etc. Através da tecnologia
Blockchain, vão assim surgir ainda outros aplicativos e/ou
dapps, com novos
recursos,
que vão permitir que o utilizador, faça uma utilização optimizada, da tecnologia
Blockchain.


Imagine a
Internet sem nenhum software, sem
aplicativos, conseguiria
utilizá-la na perspetiva de utilizador comum? Por exemplo, para conversar em
chats, precisa de utilizar um
aplicativo, certo? Então para utilizar a tecnologia
Blockchain, também precisa desses programas informáticos. Mas a
maioria ainda nem existe, e para não entrar no campo das previsões tecnológicas,
preferimos neste momento, dar-lhe um exemplo, de uma
app simples que já existe, a
app da Coinbase, a carteira digital
referida anteriormente, que é uma das empresas que opera com criptomoedas e que
tem um aplicativo para o seu smartphone,
tablet etc, desenvolvido com base nos
conceitos técnicos inerentes à
tecnologia
Blockchain
.


 


Sintetizamos agora em tópicos, as características da
tecnologia Blockchain:


Características da Tecnologia Blockchain:


 

Base de
dados:


 

Distribuída


 

Descentralizada


 

Autónoma

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Utilizador beneficia mas não utiliza (diretamente):


 

Transparência total


 

Segurança muito
elevada


 

Confiança garantida


 

Imutável


 

Registo permanente de transações


 

Registo permanente de
bloco


 


 


 



Utilizador beneficia e utiliza:


 

Programas
informáticos que permitem o uso desta tecnologia por parte do utilizador comum (Smart
Contracts
).


 


Tendo em conta, o objetivo desta aprendizagem, de introduzir os
conceitos base da tecnologia Blockchain, decidimos unicamente listar as
características da tecnologia minimizando explicações técnicas, pois, tudo passa
por um processo natural de crescimento, incluindo a própria aprendizagem, por
isso existe um primeiro passo – integrar os conceitos introdutórios e só em
seguida desenvolvê-los, o que, desde já, o desafiamos, a continuar a fazer.

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4.3  

Aplicabilidades

 


Na atualidade, e num futuro cada vez
mais próximo, as aplicabilidades desta inovação (Blockchain), tornam-se cada vez mais transversais, ao ponto de na
prática, virem a interferir no quotidiano de todos, tanto a nível pessoal, na
forma como vamos conseguir armazenar, por exemplo as nossas informações
pessoais; como a nível profissional, por exemplo, no aparecimento de novos
postos de trabalho, e/ou na extinção de outros, e até nos meios e máquinas que
utilizamos com frequência.  


Como referimos antes, de facto, tudo
começou com as criptomoedas, ou seja, com a primeira
criptomoeda do mundo, o bitcoin, que
atualmente, é uma das mais de mil criptomoedas existentes. Neste sentido, as
criptomoedas são apenas um dos muitos exemplos, de um enorme leque de
possibilidades, de aplicações desta tecnologia
Blockchain.


Listamos a seguir, outros exemplos de áreas, onde a
Blockchain já tem e/ou
poderá ter, no futuro aplicabilidade prática:


 

Educação


 

Saúde


 

Estado


 

Financeira


 

Segurança


 

Arquivo


 

Transportes


 

Direito


 

Alimentação


 

Recursos Humanos


 

Militar


 

Logística

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Energia


 

Eleitoral


 

Comunicação


 

E… em qualquer área empresarial!


Pois é, a tecnologia
Blockchain, tem particularidades e
características muito específicas, que possibilitam inúmeras utilidades e
potencialidades de aplicabilidades em todas as áreas empresariais, como já
referimos, e está totalmente disponível para os empreendedores darem asas à sua
imaginação e conceberem projetos sem precedentes.


Nesse sentido e para dar ao
utilizador um conhecimento mais abrangente da transversalidade desta tecnologia,
saindo também do âmbito financeiro das criptomoedas, porque em relação à
aplicabilidade da Blockchain, nessa área, neste momento de leitura, o
utilizador já a entendeu. Por isso, vamos exemplificar, com três áreas
distintas, onde a tecnologia Blockchain,
também pode ser aplicada: Saúde, Educação e Alimentação. Escolhemos estas
temáticas, por ressoar na vida quotidiana da maioria dos utilizadores.


 


Exemplo de aplicabilidade na área da saúde:


Como é
que a Blockchain pode ajudar a salvar vidas?


Certamente que num futuro
próximo de muitas formas, mas vamos ser objetivos, e dar a resposta, com base,
no que já é possível no presente. Tendo em conta, a fiabilidade e segurança do
armazenamento da informação contida na
Blockchain
, já existem programas, com base nesta tecnologia, a serem
desenvolvidos que atestam a veracidade dos componentes de medicamentos, e/ou que
informem sobre o historial médico das pessoas, e permitam, que essa informação
seja conhecida em qualquer parte do mundo.


Em relação ao historial médico, o desenvolvimento de
uma Blockchain com este objetivo, pode parecer simples e pouco
impactante, no entanto, se analisar em maior

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detalhe, vai observar que
se sair do seu País, nada do seu processo médico é sabido. No entanto, se não
tiver nenhum problema ou especificidade clínica, este programa, de historial de
saúde, sem restrições geográficas, não é de facto relevante. Mas reflita mais, e
observe a quantidade de pessoas, que não tem essa vantagem, e por motivos
naturais ou circunstanciais, por exemplo, sofrem de alergias, têm tipos de
sangue raros, ou são portadoras de algumas doenças, que necessitam de cuidados
muito específicos. Agora, continue a reflexão, imaginando o quanto será
desconfortável, para alguém nestas circunstâncias, viajar para um País, onde não
domina o idioma, ou até mesmo, nesse período, passar por algum acontecimento,
que a impossibilite de comunicar, e que perante uma urgência, tenha de
sujeitar-se às decisões de profissionais de saúde, que não estejam a par da sua
condição médica específica, perante a qual, uma decisão errada, pode originar a
perda de vida dessa pessoa. A Blockchain
vem reduzir esta probabilidade, porque após o desenvolvimento de programas (Blockchain),
para esta área da saúde, os profissionais de saúde poderão ter acesso a toda a
informação clínica dos pacientes, de forma fácil, rápida, fidedigna e sem
restrição geográfica, através destes programas e aplicativos desenvolvidos para
o efeito. Com esses softwares sim, a
Blockchain vai certamente salvar
vidas.

 


Exemplo de aplicabilidade na área da Educação:


Será que a Blockchain pode
ajudar na Educação?


A Educação é a base de todo e qualquer desenvolvimento,
e por isso, direta ou indiretamente, está relacionada com todas as outras áreas,
devido a isso, e considerando tudo, o que já foi referido e referenciado, a
resposta é obviamente sim. Tendo em conta, e a um nível muito básico, o objetivo
primário da Blockchain – armazenamento
de dados, e as suas características de base de dados tão distinta, imediatamente
por isso, será possível estudar a informação contida em
Blockchain, com maior fiabilidade,
rapidez, segurança e até a um menor custo. Desta vantagem, vai certamente no
futuro, advir estudos, que ajudem por exemplo na cura de doenças,

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e/ou estatísticas que
ajudem por exemplo no controle de pandemias. Ou seja, a aquisição de informação
é educação, nesse sentido, se a informação necessária, estiver organizada de
forma eficaz, tudo na educação será simplificado.


Entrando agora, num
exemplo mais específico, desta área e neste caso, vamos associar educação apenas
à obtenção de graus académicos. Todos, por vezes, precisamos de consultar,
determinado profissional qualificado, por exemplo um médico, advogado,
professor, assim como, desejamos ter garantias que esse profissional realmente é
quem diz ser quem é, e que faz uso das habilidades profissionais adquiridas em
alguma instituição de ensino, acreditada para o efeito, logo seja por que motivo
for, profissional e/ou pessoal, gostaríamos de ter absoluta certeza que assim é.


Os programas com base
Blockchain,
para a área da Educação, já em curso em algumas universidades,
permitem atestar, com certeza, que o profissional que por exemplo, contratamos
e/ou consultamos, é de facto um profissional qualificado, certificado por
determinada instituição, ou seja, detém uma formação verdadeira e logo possui um
certificado académico autêntico.  


 


Exemplo de aplicabilidade na área da Alimentação:


Será que a Blockchain pode dar
a conhecer a rota detalhada dos alimentos?

 


Numa época, em que a
qualidade dos produtos de alimentação, é cada vez mais reduzida e duvidosa,
apesar dos muitos selos de garantia de proveniência, qualidade, entre outros, e
com rótulos cada vez mais detalhados, que foram tranquilizando os consumidores,
mas de alguma forma, também encarecendo os produtos.


Surge então a questão: Na
atualidade estamos cada vez mais esclarecidos, mas a que preço?


O desejo de obter informação fidedigna, sobre os
produtos alimentares, tem um custo mais elevado na atualidade, e a garantia na
realidade não é total.

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Vejamos, por exemplo: as
inúmeras e extensas auditorias necessárias, para a obtenção dos selos de
qualidade dos produtos, aumenta certamente o preço dos mesmos. E não garante a
ausência do erro humano, pois são inúmeros os processos aos quais estes
procedimentos são sujeitos. Brevemente, poderemos dizer, que este é um cenário
“antes da tecnologia Blockchain”.


 
 Com a tecnologia Blockchain, tendo em
consideração o exemplo anterior, o consumidor terá acesso a toda a informação,
sobre o percurso dos produtos alimentares, que deseja adquirir, sem que esta
esteja sujeita ao erro humano, nos vários estágios do seu processo.


Lembre-se, que a forma de
armazenar informação da base de dados Blockchain é uma das mais seguras do mundo
na atualidade, graças às suas características, como já vimos anteriormente, o
que garante a veracidade da informação mais do que, na atualidade, algum selo de
garantia o fará. Acrescendo o facto, de possivelmente, termos acesso aos mesmos
produtos a um menor preço, pois são eliminados certos processos no percurso dos
produtos, e por isso, poderá ainda originar a descida dos preços.


Obviamente que a
tecnologia Blockchain, também sofre
intervenção humana, por exemplo, no momento que existe a introdução da
informação, temos de assumir a veracidade dessa informação e a prévia
verificação da mesma, de forma idónea. No entanto, muitos dos procedimentos
subsequentes, poderão ser confirmados pelos “nós” da rede, assim existe uma
redução considerável de intervenção humana.


Para possibilitar, um
melhor entendimento de tudo o que descrevemos acima, por favor, reflita por
exemplo, sobre o peixe que ingere. Sabe a sua proveniência? Se é de
habitat natural ou de aquicultura? E
sobre a qualidade deste alimento, sabe por exemplo, se foi pescado numa zona do
planeta bastante poluída? Ou em caso de aquicultura, se foi alimentado de forma
natural e/ou artificial? Tudo isto, influi na qualidade dos alimentos e logo,
diretamente na saúde de todos. A
Blockchain
pode evitar, que consuma alimentos duvidosos, e por isso, que
seja possível, fazer escolhas mais conscientes.

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No caso especifico da
alimentação, utilizamos o exemplo do peixe, porque existe na atualidade, alguns
programas em desenvolvimento neste sentido, e quisemos dar-lhe um exemplo, de
algo já em execução. No entanto, seja qual o tipo de alimentação que opte por
seguir, num futuro próximo poderá certamente, através da
Blockchain, verificar todo o percurso do alimento que decidiu
ingerir. Existem, inclusive cadeias de supermercados, que também já estão a
desenvolver programas neste sentido.


Em breve, facilmente terá
acesso a informação fidedigna sobre os alimentos, de forma mais segura, em
qualquer lugar, em qualquer altura, apenas necessitando de ter acesso a um
dispositivo (smartphone,
tablet, computador, etc) com ligação à
Internet, utilizando por exemplo, um aplicativo programado para esse efeito.


Estes, são alguns
exemplos, das diversas aplicabilidades possíveis da tecnologia
Blockchain e a forma conhecida na
atualidade, de como esta tecnologia vai continuar a influenciar as suas escolhas
num futuro próximo. Prepare-se!


Agora, tem motivos
suficientes, para querer saber mais sobre a tecnologia
Blockchain. Já entende os benefícios que terá em utilizá-la e também
sabe, como a tecnologia Blockchain vai
proteger toda a informação nela registada e torná-la transparente aos olhos de
todos. Assim como, conhece as ínfimas possibilidades da aplicabilidade desta
grandiosa tecnologia.


Confie na diferenciação,
que este conhecimento trará à sua vida pessoal/profissional e continue o seu
desenvolvimento na aprendizagem sobre a tecnologia
Blockchain.


 

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5   
– Demonstração Prática:
Criptomoedas

5.1  
Criação de Conta – Carteira Digital


Neste momento da sua leitura está completamente preparado teoricamente a dar
este passo – a criação de uma conta numa carteira digital. Aconselhamos no
entanto que assista à vídeo-aula correspondente a este capítulo, para uma melhor
compreensão.


Para iniciar este processo a primeira atitude a ter é escolher uma Carteira
Digital. Essa escolha é muito única, dependendo dos critérios de cada
utilizador, como já mencionamos no capítulo da Carteira Digital.


As ações seguintes dependem do tipo de carteira escolhida, pelo que iremos
demonstrar uma síntese da informação solicitada, das normas e da segurança,
habitualmente comuns, na maioria das carteiras digitais existentes no mercado
online atualmente.


As primeiras informações solicitadas, após aceder ao respetivo site
da carteira escolhida, para efetuar o registo, são nesta fase, muito simples e
rápidas de preencher. Simplesmente, na maioria dos casos, bastará o nome, o
endereço de e-mail e uma senha de acesso. A seguir teremos que possivelmente
confirmar alguns passos legais, sendo normalmente a aceitação e concordância com
os termos e condições, políticas de privacidade, regulamento geral de proteção
de dados, etc… todos estes passos vão depender da carteira escolhida e também da
localização geográfica correspondente. Depois de concordarmos com estes aspetos
legais inerentes a cada carteira, receberemos na caixa de email configurada
anteriormente, ou seja, com a qual nos registamos, a confirmação de registo da
nossa conta na respetiva carteira digital.


Após o processo anterior, segue-se normalmente o importante aspeto da
segurança. Aqui são realizadas as configurações de segurança acrescida, sendo
neste momento provável que dados como o número de telefone, seja solicitado.
Reforçamos a importância das questões inerentes à configuração de segurança
acrescida.

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Depois de asseguradas as questões de segurança, há que proceder às
configurações dos métodos de pagamento. Solicita-se normalmente os dados de uma
conta bancária e/ou o número de um cartão de crédito, entre outros. Muitas vezes
esta é uma configuração essencial para finalizar o processo básico
imprescindível a uma carteira digital e correspondente utilização das suas
principais funcionalidades.


Neste momento, com estas configurações, já é possível adquirir criptomoedas,
armazenar criptomoedas, no geral começar a operar neste relativamente recente
mundo virtual.


Lembre-se que de cada vez que quiser voltar a aceder à sua carteira digital,
deve ter sempre presente o endereço de email com o qual efetuou o seu registo, a
sua senha de acesso e possivelmente o seu telefone configurado com segurança
acrescida. Provavelmente todas as carteiras digitais que zelem pela segurança
dos seus utilizadores, vão solicitar um método de segurança acrescida, pelo que
enviarão um código para o seu número de telefone via mensagem convencional SMS
ou recorrendo a uma aplicação, código esse que terá de introduzir num
determinado tempo limite (como já vimos no capítulo da segurança).

Em síntese para a proceder à criação de uma carteira digital:



 

Escolher a carteira digital;



 

Aceder ao site da carteira digital
escolhida;



 

Introduzir os dados para a criação da
carteira digital:


 

Informações básicas de identificação;


 

Aceitação dos termos legais e condições;


 

Configurações de segurança acrescida;



 

Configurações de método de pagamento.


O processo da criação de uma carteira digital é muito simples e rápido, no
entanto aconselhamos que dedique toda a sua atenção, pois afinal está a
configurar a sua carteira.

52

5.2  

Criação de Conta – Exchange

 


Este procedimento é igualmente simples, neste momento, a todos os
utilizadores que tenham realizado a leitura deste e-book e também é um
procedimento muito similar ao de criação de uma carteira digital. Significa
dizer que a primeira ação que o utilizador necessita de ter em consideração é a
escolha da Exchange. E mais uma vez, esta é uma escolha muito pessoal,
dependendo dos seus objetivos e da perspetiva de utilização da
Exchange, como por exemplo enquanto
possível investidor. Neste caso deverá ser muito criterioso na sua escolha, pelo
que recomendamos um trabalho prévio de pesquisa.


Antes de iniciar o processo de criação de conta numa Exchange,
prevenimos o utilizador para o facto, de que à primeira vista, o layout
de apresentação de uma Exchange é por norma mais complexo,
comparativamente ao layout de uma carteira digital. Contem
inevitavelmente outras operações e informações de investimento, sendo muitas
vezes atualizado, mas no entanto uma Exchange é bastante “user friendly”
para os utilizadores que detenham conhecimentos sobre investimentos.


Para iniciar a criação da sua conta “Exchange” aceda ao site da
Exchange da sua eleição e preencha com
os seus dados o formulário que surgir. Usualmente, estes dados solicitados
inicialmente, são básicos, sendo provavelmente na maioria dos casos, o nome, o
endereço de e-mail, senha de acesso e eventualmente a escolha do tipo de conta a
criar (pessoal ou profissional). Com estes dados registados geralmente é o
suficiente para prosseguir. Em seguida, surgirão os passos para configurar o(s)
método(s) de segurança acrescida, que tendo em conta as possibilidades e
especificidades das operações realizadas numa
Exchange (operações relacionadas com investimento) muitas vezes são
muito rigorosos. Assim desta forma, simples, a conta em
Exchange está criada. Consoante as operações que o utilizador
desejar realizar, serão solicitadas mais informações e dados a seu respeito. Com
as exigências de informações adicionais que a “Exchange” lhe pode solicitar e a
sua conta na Exchange já criada, pode dar passos em direção ao seu investimento
financeiro, mas lembre-se que se estiver a iniciar a sua carreira de investidor
a prudência será uma boa aliada.

53

5.3  

Comprar e Enviar Criptomoeda

 


Para comprar e enviar criptomoeda, é normalmente necessário e suficiente que
o utilizador tenha como requisito mínimo uma conta já criada numa carteira
digital e depois, claro, que seja detentor de uma quantia em criptomoeda para
que seja possível efetuar operações.


Assim, após a criação da conta na carteira digital o passo seguinte é
precisamente comprar criptomoeda. Esta compra é exatamente igual à compra de um
outro produto digital, ou seja, o valor que tiver intenção de comprar em
criptomoeda poderá ser pago através da conta bancária e/ou cartão de crédito
configurado previamente no momento da criação da conta da carteira digital (tal
como se faz para comprar um outro produto digital). Referimos ainda que existem
atualmente outras formas de compra de criptomoeda e certamente outras surgirão.


Agora que o utilizador (emissor) já possui criptomoedas, para conseguir
enviá-las, para um outro utilizador (recetor) é necessário aceder à sua conta
(emissor) na carteira digital e indicar a quantia em moeda FIAT equivalente à
criptomoeda a enviar, ou indicar na respetiva criptomoeda. O utilizador pode
também personalizar, para o recetor, uma mensagem que será um texto complementar
ao envio. O utilizador (emissor) necessita de saber o endereço do outro
utilizador (o recetor) para proceder ao respetivo envio. Após o utilizador
(emissor) confirmar todos os dados, basta clicar no botão enviar e de forma
rápida e bastante segura, efetua a operação de envio de criptomoeda para o
utilizador (recetor).


Para facilitar o processo é conveniente ter disponível os seguintes dados:


 

Dados para aceder à conta da sua carteira digital;


 

Quantia que pretende enviar ao recetor;


 

Endereço do recetor.


Caso o envio de criptomoeda seja efetuado entre
utilizadores que possuam contas nas mesmas carteiras digitais, poderá ter
facilidades maiores ao nível da rapidez e de taxas mais reduzidas, assim como os
procedimentos de envio podem ser ainda mais simplificados, como por exemplo poder enviar criptomoedas utilizando unicamente um endereço de email, ao invés de um endereço de criptomoeda.

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No caso específico de um pagamento em criptomoeda, o utilizador deve
unicamente certificar-se que esse método de pagamento é aceite, como já vimos,
sendo depois o processo exatamente o mesmo que efetuar um envio de criptomoeda
para o destinatário.


Lembre-se, está a efetuar neste momento operações que embora virtuais
representam uma equivalência a dinheiro FIAT, por isso esteja atento e confirme
todos os dados para que, as suas ações correspondam exactamente às suas
intenções.

Muitos Parabéns!

Concluiu a sua aprendizagem ao aliar a teoria à prática.

Utilize o conhecimento adquirido para desenvolver.

Obrigado por confiar no nosso método de ensino.

Até um próximo curso!

Saudações académicas.

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